Historicidade e autonomia da Filosofia

Aparentemente há uma contradição quando se defende em simultâneo a historicidade e a autonomia da filosofia. De algum modo a historicidade da filosofia implica que a sua tarefa é influenciada pelo seu passado histórico, pela sua tradição, pelos textos de grandes pensadores e pelas correntes que sustentaram um núcleo de teses comuns. A autonomia da filosofia implica que o pensador não seja dependente, nem influenciado pela história da filosofia ou por uma corrente filosófica. Assim sendo, tudo leva a crer que se a filosofia é histórica, não é autónoma; se é autónoma, não é histórica.

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Documentário: “A vida examinada”

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O documentário “A vida examinada” trata dos seguintes tópicos:

  • O que é a Filosofia? Interpretação da alegoria da caverna.
  • Quais são as questões da Filosofia? Alguns exemplos.
  • Por que motivo comecei a estudar Filosofia?
  • Quem foi Sócrates? Dos seus diálogos até à condenação à morte.

Pensar em diálogo com a tradição filosófica

Ágora da antiga Atenas

Ainda que o filósofo tenda a um pensamento pessoal, seria ilusório crer que o poderia levar a termo sem a tradi­ção. Como filósofo sou uma pessoa, um eu, e o meu filosofar só é legítimo sendo o meu filosofar. Toda a pessoa, porém, se encontra inserida numa história que não é pessoal, que o indivíduo mesmo não fez. Trata-se de uma in­serção inevitável. Não posso, pois, começar a pensar do ponto zero, porque o que penso já foi pensado, e em tal pensamento fui escolhido. Sou levado pelo pensamento da tradição, pelo menos porque falo a sua linguagem e me encontro imbuído dos pensamentos encarnados nesta linguagem. Pensar sem linguagem é impossível; não menos impossível é pensar sem tradição.

Isto não quer dizer que o filósofo precise de abandonar a pretensão de pensar pessoalmente. De maneira nenhuma. Ainda que levado pela história do pensamento, o filósofo é chamado a despertá-la para nova vida […].

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Historicidade das ciências

Os segredos da natureza estão ocultos; ainda que eles actuem sempre sobre nós, não descobrimos os seus efeitos: o tempo revela-os de idade em idade, e ainda que sempre igual nela mesma, ela não é sempre igualmente conhecida.

As experiências que nos dão inteligibilidade multiplicam-se continuamente; e, como elas são os únicos princípios da física, as consequências multiplicam-se proporcionalmente.

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