Seis leais serventes, Rudyard Kipling

Mantenho seis leais serventes:
(Ensinam-me tudo quanto sei)
Os seus nomes são O Quê e Onde e Quando
E Como e Porquê e Quem.
Envio-os por mar e terra,
Envio-os para Este e Oeste;
Mas depois de trabalharem para mim,
Dou-lhes algum descanso.

 

Deixo-os descansar das nove às cinco.
Pois então estou ocupado,
Assim como ao pequeno-almoço, ao almoço e ao lanche,
Pois são homens famintos:
Mas cada cabeça sua sentença:
Conheço uma pessoa pequena –
Sustenta dez milhões de serventes,
Que de todo não têm descanso!
Envia-os ao estrangeiro nos seus assuntos privados,
Desde o segundo em que abre os olhos –
Um milhão de Comos, dois milhões de Ondes,
E sete milhões de Porquês!
(Rudyard Kipling, Histórias assim mesmo; Trad. WR).

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A mulher incorpórea

Tens cinco sentidos. Isso é evidente para ti e para mim. Nem mais, nem menos. Mas na verdade temos seis sentidos. Um dos nossos sentidos funciona tão bem que podemos viver uma vida inteira sem saber que o temos. Só o descobrimos quando o perdemos ou quando alguém nos fala dele. Eu vivi cerca de vinte anos sem saber que tinha proprioceção. Só fiquei a saber que tinha esse sentido quando li O homem que confundiu a mulher com um chapéu, um livro de Oliver Sacks. A obra relata o caso verídico de Cristina, uma mulher de vinte e sete anos que perdeu a proprioceção e com ela a capacidade de saber se tinha e onde estavam os pés, os braços e a própria cara. A proprioceção é o sentido percetivo que nos dá a certeza de termos um corpo, de sabermos onde está cada uma das suas partes e de coordenar todos os nossos movimentos, incluindo os movimentos dos músculos necessários à fala e ao sorriso. Sem ele a nossa vida tal como a temos construída ruiria por completo.

                Deixo a baixo extratos do impressionante e esclarecedor texto de Oliver Sacks.

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