Documentário: “A vida examinada”

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O documentário “A vida examinada” trata dos seguintes tópicos:

  • O que é a Filosofia? Interpretação da alegoria da caverna.
  • Quais são as questões da Filosofia? Alguns exemplos.
  • Por que motivo comecei a estudar Filosofia?
  • Quem foi Sócrates? Dos seus diálogos até à condenação à morte.

Desproporção do homem

Blaise Pascal

199-72

H. Desproporção do homem.

9. – (Ora aí está onde nos levam os conhecimentos naturais.

Se estes não são verdadeiros, não há nada de verdadeiro no homem e se o são encontra nisso um grande motivo de humilhação, forçado a rebaixar-se de uma ou de outra maneira.

Uma vez que não pode subsistir sem acreditar neles, desejo antes de entrar em maiores investigações da natureza, que ele a considere uma vez seriamente e com vagar. Que ele se observe também a si mesmo e julgue se tem alguma proporção com ela pela comparação que fará destes dois objectos).

Que o homem contemple então a natureza inteira na sua alta e plena majestade, que afaste a sua vista dos objectos baixos que o rodeiam. Que olhe para esta brilhante luz posta como uma lâmpada eterna para alumiar o universo, que a terra lhe pareça como um ponto por comparação à vasta rotação que este astro descreve, e que ele se espante de que esta vasta rotação não seja ela mesma senão um ponto muito delicado relativamente àquela que estes astros, que giram no firmamento, abraçam. Mas se a nossa vista se detém aí que a nossa imaginação vá mais além, ela cansar-se-á mais depressa de sentir do que a natureza de fornecer. Todo o mundo visível não é senão um traço imperceptível no amplo seio da natureza. Nenhuma ideia se aproxima, por mais que insuflemos as nossas concepções para lá dos espaços imagináveis, nós não criamos senão átomos por comparação à realidade das coisas. É uma esfera infinita de que o centro está em toda a parte, a circunferência em parte nenhuma. Enfim é a maior marca sensível da omnipotência de Deus que a nossa imaginação se perca neste pensamento.

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Qual é o meu espaço e a minha duração no universo?

O espectador deste filme é levado a fazer uma viagem ao universo em telescópio e em microscópio. A visão telescópica ajuda-nos a imaginar o quanto somos pequenos no meio do universo. A viagem microscópica leva-nos a imaginar o quanto somos grandes por comparação às mais pequenas partículas. Por fim, somos levados a fazer uma viagem no tempo. Estas viagens permitem-nos fazer algumas boas perguntas filosóficas. Afinal por que motivo estou eu aqui e agora e não num outro espaço e num outro tempo?

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Ficha técnica

Vê também esta entrada do Dúvida Metódica.

Porque vivo neste tempo e lugar e não em outro qualquer?

“Quando considero a pequena duração da minha vida absorvida na eternidade precedente e consequente (…), o pequeno espaço que ocupo e o mesmo que vejo abismado numa infinita imensidade de espaços que ignoro e que me ignoram, assusto-me e espanto-me de me ver mais aqui do que acolá, porque não há razão para estar mais aqui do que acolá, porque no presente mais do que logo. Quem me terá posto aqui? Este lugar e este tempo foi-me destinado a mim pela ordem e a conduta de quem?

Tradução do texto de Blaise Pascal, Pensées; in Œuvres Complètes; L’Intégrale, Seuil, Paris, 1963. fr. 68-205, p. 508.

 

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Só as ideias úteis têm valor?

É fácil ter ideias sobre tudo e mais alguma coisa. Ainda mais se temos informação sobre cada uma delas. O século XX foi pródigo em produzir informação e comunicação, mas essa comunicação é ainda mais massiva no século XXI. O homem comum pode ter acesso à informação e à comunicação em todos os lugares em que o telemóvel funcione. A mesma informação adianta que há mais cientistas a trabalhar no início deste século do que durante todo o resto da história da humanidade.

O desenvolvimento tecnológico dá-nos monitores para ver as tempestades e o aspecto das vidas quotidianas de todo o mundo. Mostra-nos todos os dias os nossos Ministros e comentadores a falar sobre tudo o que se passa no país e arredores. Com toda esta informação e com a diferença de meios tecnológicos que temos ao nosso dispor sentimo-nos mais desenvolvidos do que os nossos antepassados. Somos mais ricos, mais poderosos, mais conhecedores e humanos.

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