Valor de uso e valor de troca

Adam Smith (1723-1790)

Importa notar que a palavra VALOR tem dois significados diferentes: umas vezes expressa a utilidade de um objeto em particular, e outras o poder de compra de outros bens que a posse desse objeto comporta. O primeiro pode ser chamado “valor de uso;” o outro, “valor de troca”. As coisas que têm o maior valor de uso têm frequentemente pouco ou nenhum valor de troca; pelo contrário, as que têm o maior valor de troca têm frequentemente pouco ou nenhum valor de uso. Nada é mais útil do que a água: mas dificilmente comprará alguma coisa; dificilmente alguma coisa pode ser obtida em troca dela. Um diamante, pelo contrário, dificilmente tem algum valor de uso; mas uma quantidade muito grande de outros bens pode frequentemente ser obtida em troca dele.

(Traduzido por Wilson Rodrigues de Adam Smith, The Wealth of Nations; Barnes & Noble, New York, 2004, Book 1, Ch. IV, p. 25).

 

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Prevenção do juízo precipitado e orgulhoso (Utopia)

Thomas More (1478-1535)

Entre os princípios regulamentares do Senado, merece assinalar-se o seguinte: é proibido discutir uma proposta no próprio dia em que a apresentam, sendo a discussão marcada para a sessão seguinte.

Ninguém, deste modo, ali se encontra na contingência de debitar de ânimo leve as primeiras coisas que lhe vêm à cabeça, obstinando-se em seguida na sua opinião em detrimento do bem comum; pois não acontece tantas vezes recusar-se por orgulho perante a vergonha de uma retratação e a confissão do erro irreflectido? Sacrifica-se nestes casos o interesse público ao amor-próprio.

(Tomás Morus [Thomas More], Utopia; Trad. José Marinho, Guimarães Editores, Lisboa, 1992, Livro II, 2 Dos Magistrados, p. 79).