Considerações sobre a inimizade (La Rochefoucauld)

La Rochefoucauld

(82) A reconciliação com os nossos inimigos não é senão um desejo de tornar a nossa condição melhor, uma lassidão da guerra, e um receio de qualquer mau acontecimento.

 (114) Ninguém se pode consolar de ser enganado pelos seus inimigos, e traído pelos seus amigos; e fica-se frequentemente satisfeito de o ser por si mesmo.

 (397) Nós não temos a coragem de dizer em geral que não temos nenhum defeito, e que os nossos inimigos de todo não têm boas qualidades; mas ao pormenor não estamos muito distantes de o acreditarmos.

 (458) Os nossos inimigos aproximam-se mais da verdade nos juízos que fazem de nós do que nós próprios nos aproximamos.

 (463) Há frequentemente mais orgulho do que bondade em lamentar as infelicidades dos nossos inimigos; é para lhes fazer sentir que somos superiores a eles que nós lhes damos sinais de compaixão.

 (4 Máximas suprimidas) A ruína do próximo agrada aos amigos e aos inimigos.

 (La Rochefoulcauld, Réflexions ou sentences et maximes morales; Le livre de poche, Classique, Librairie Génerale Française, 1991. [Trad.: Wilson Rodrigues]).

 (82) La réconciliation avec nos ennemis n’est qu’un désir de rendre notre condition meilleure, une lassitude de la guerre, et une crainte de quelque mauvais événement.

 (114) On ne se peut consoler d’être trompé par ses ennemis, et trahi par ses amis; et l’on est souvent satisfait de l’être par soi-même.

 (397) Nous n’avons pas le courage de dire en général que nous n’avons point de défauts, et que nos ennemis n’ont point de bonnes qualités; mais en détail nous ne sommes pas trop éloignés de le croire.

 (458) Nos ennemis approchent plus de la vérité dans les jugements qu’ils font de nous que nous n’en approchons nous-mêmes.

 (463) Il y a souvent plus d’orgueil que de bonté à plaindre les malheurs de nos ennemis; c’est pour leur faire sentir que nous sommes au-dessus d’eux que nous leur donnons des marques de compassion.

 (4 Maximes écartées) La ruine du prochain plaît aux amis et aux ennemis.

 (La Rochefoulcauld, Réflexions ou sentences et maximes morales; Le livre de poche, Classique, Librairie Génerale Française, 1991).

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